A vida em forma de poemas de Diovani Geraldo Mendonça

 A vida em forma de poemas de Diovani Geraldo Mendonça

A frente do projeto Pão e Poesia, campeão do concurso Pontos de Mídia Livre (Ministério da Cultura) e ganhador do Selo Cultura Viva, ele sempre surpreende a todos com ideias incomuns. Em 2007, apareceu pela primeira vez na grande mídia, com sua Árvore dos Poemas, e agora, 12 anos depois, surpreende novamente com essa entrevista em forma de… poesia.

“Sou apenas um vírus estudando as linhas de programação do sistema para no mínimo insPIRÁ-LO”, se apresenta Diovani Geraldo Mendonça o poeta de Contagem (55) que também trabalha na área de informática.

Analista de sistemas autodidata, nosso poeta explica que foi por meio da leitura e da prática que trilhou os vários caminhos da vida. “Nem poeta ou profeta, sou o que paira entre esses dois mundos fundos”, poetiza.

Ele ficou conhecido em Minas Gerais quando realizou o projeto Árvore dos Poemas. Mas, essa estória começou alguns anos antes.

Em outubro de 1999, Mendonça adquiriu um terreno que, segundo o consultor de imóveis, ninguém queria comprá-lo, uma vez que nele havia muitas pedras. “Como ainda têm. Costumo dizer que eu apenas as harmonizei”, brinca.

Logo que conheceu o local, ele sentenciou: “É na parte mais alta do terreno que construirei a minha casa”. Mas, espantado com seu entusiasmo, o corretor argumentou: “Você está doido? Ninguém quer essa chácara porque ela tem pedras demais. Não está vendo? Só tem pedra”. “Engraçado, eu a quero justamente por causa das pedras”, finalizou, o poeta, a conversa e o negócio.

Mas, e a Árvore dos Poemas? Como ela surgiu nesse jardim de predas?

“Eu queria espalhar poemas por todo o terreno, lá fora e dentro de casa. Queria poder ler e mostrar aos amigos meus escritos e de outros poetas. Contudo, a chuva, o sol, o vento acabariam por danificar os papeis”, explicou.

Um dia, Mendonça conta, ele havia acabado de imprimir um poema intitulado “Eu escapo”, do poeta André Carneiro, e ao brincar com a folha em suas mãos acabou fazendo um canudo. Como ao lado havia uma garrafa de refrigerante vazia, ele colocou esse canudo dentro da garrafa. “Eureka! Percebi que dava perfeitamente para ler o poema. E, assim, nascia a Árvore dos Poemas, mãe de todos os outros projetos que eu fiz, posteriormente, voltados para o incentivo à leitura, por meio da poesia”.

 

Divulgando a arte da poesia

Um dos projetos de maior sucesso de Mendonça é o “Pão e Poesia – em qualquer esquina, em qualquer padaria”. Segundo ele, tudo aconteceu no entusiasmo e ao acaso, nada foi planejado. No início, não sabia exatamente se funcionaria e que tantas pessoas seriam simpáticas ao projeto, contudo, ele teve a ‘sorte’ de encontrar pessoas generosas pela vida. Uma dessas pessoas é Renan Rocha, o primeiro patrocinador.

Ao encontrar o poeta em um bar, entre uma conversa e outra, regada a uma cervejinha gelada, poesias eram solicitadas e, sem se fazer de rogado, Mendonça as declamava para a plateia de não poetas. Foi nesse dia que Rocha se propôs a patrocinar 300 mil embalagens de pão com poesias.

A convocação para que outros poetas participassem do projeto aconteceu no blog de Mendonça e viralizou na rede. Ato todo, foram mais de dois mil poemas inscritos, de poetas de todo o país, inclusive de Portugal e Itália. A responsabilidade de confeccionar as embalagens ficou a cargo da Casa Sol, que generosamente, doou a mão de obra. Estrategicamente, as embalagens foram doadas às padarias da periferia da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Além do ‘Pão e Poesia’, realizo e participo de outras iniciativas que têm o objetivo de democratizar e facilitar o acesso do público a conteúdos poéticos, pois acredito que as amostras grátis ofertadas por esses projetos são pílulas de leitura. Quiçá, viciem e pesquem mais leitores para o universo literário”, esclarece.

Segundo o poeta, desde 2008, o projeto nunca ficou sem lançar uma edição por ano. Entre os locais que receberam as embalagens recheadas com poesias estão a cidade de Franca (SP), Sabará (MG), além de Contagem e região. Ao todo a Casa Sol fez a doação de mais de um milhão de embalagens ao longo desses anos.

 

Pão e Poesia na Escola

Com o sucesso dos projetos voltados para a leitura e criação de poemas, Mendonça chegou às escolas. O iniciou de “Pão e Poesia na Escola” se deu na Escola Municipal de Nova Contagem, onde o poete Lecy Pereira Sousa era bibliotecário. Com esse trabalho, o poeta foi notícia na imprensa, com reportagens em jornais, rádio e até televisão.

“Recebi muitas manifestações positivas incentivando a continuidade do projeto, mas o melhor retorno que tive foi ao vivo, com os alunos das comunidades escolares. Impagável”, contou.

Em 2008, aproveitando a diversidade de 30 poesias plastificadas, Mendonça criou a exposição itinerante do projeto, levando arte para escolas da RMBH e até mesmo para Escola Mutirão, em Cotia (SP). O trabalho consistia em conversas e contação de estórias, já a exposição ficava um mês em cada escola, onde os alunos realizavam atividades a partir dos poemas impressos nas embalagens.

“Assim, dessa simples iniciativa, nasceram livros com poemas dos próprios estudantes”, revelou, orgulhoso.  Ele completa: “Sei que é um trabalho de formiguinha, mas, garanto que faz toda a diferença. Só quem viveu essa experiência utópica e quixotesca pode dar conta da emoção de estar com esses estudantes e receber cartas deles escritas à mão, convidando para retornar com o projeto nas escolas” refletiu.

Destaca-se que, entre 2010 e 2013, Mendonça teve seu projeto aprovado na Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, pelo qual realizou oficinas de sensibilização poética e doação de 500 mil embalagens com os poemas escritos pelos alunos. As embalagens foram distribuídas em padarias no entorno das escolas participantes, localizadas no Barreiro e em Brumadinho.

Dessa forma, nosso poeta segue publicando seus versos no perfil facebook.com/Diovanimen, uma vez que, segundo ele mesmo, o Pão e Poesia já ganhou vida própria. Atualmente, entre seus trabalhos está a doação de livros. “Ando com vários no meu carro e sempre que posso os entrego para pessoas que encontro pelo caminho”. Há ainda três livros em curso, brevemente e com calma, segundo ele, serão publicados.

Atualmente, as embalagens distribuídas gratuitamente às padarias estão esgotadas, porém, a Casa Sol segue produzindo-as para venda. Quem tiver interesse de adquiri-las ou enviar poesias para serem publicadas, basta acessar o site casasol.com.br e obter mais informações.

VivaOnline

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