Atriz Luciana Veloso ganha Prêmio Cenym de Teatro Nacional

Solo narrativo que reconta a paixão da escritora brasileira Hilda Hilst por seu primo Wilson Hilst, suscitando reflexões sobre a cultura de opressão e machismo, é destaque no 20º Anual Prêmio Cenym deTeatro Nacional. A atriz mineira Luciana Veloso recebeu nesta última terça-feira, dia 24, o Prêmio Cenym de Teatro Nacional 2020, categoria Melhor Atriz, pela interpretação solo no espetáculo “A Obscena Senhora H Paixão e Obra de Hilda Hilst”, do dramaturgo e diretor Juarez Guimarães Dias. Além desta premiação, a Academia de Artes do Teatro do Brasil – ATEB também indicou a peça como Melhor Monólogo. “Foi uma grata surpresa a indicação e uma felicidade o prêmio de Melhor Atriz para Luciana Veloso, que tem um trabalho dedicado, rigoroso e exemplar em cena, transitando entre a escritora Hilda Hilst e sua personagem Hillé. Significa muito ter esse reconhecimento em âmbito nacional, em um prêmio realizado fora de Minas Gerais”, destaca Juarez Guimarães. “Demonstra que o espetáculo está com um grande alcance e que estamos conseguindo dialogar com várias pessoas em diferentes lugares do país, que se reconhecem naquilo que faz tanto sentido pra gente”, completa Luciana Veloso.
A Obscena Senhora H
No palco, Luciana Veloso encena momentos do relacionamento violento e abusivo, que a escritora brasileira Hilda Hilst vivenciou com seu primo Wilson Hilst. Com o tema violência contra as mulheres e o machismo sob a ótica dos dias atuais, o solo narrativo traz à cena um olhar questionador sobre a dominação masculina nas relações sociais, promovendo uma reflexão quanto à violência doméstica sofrida pela mulher. Além de Luciana Veloso, também foram indicadas ao prêmio de melhor atuação as atrizes Camila Pitanga, com a peça “Por que Não Vivemos”, Tânia Bondezan, em “A Golondrina”, Edvana Carvalho, em “Aos 50 Quem me Aguenta” e Inês Peixoto, com o espetáculo “Órfãs de Dinheiro”. Para Janine Avelar, produtora do espetáculo, a premiação reconhece a importância do espetáculo no cenário contemporâneo. “O premio de Melhor Atriz para Luciana Veloso e a indicação a Melhor Monólogo chegam em 2020 para coroar a maturidade da peça, que traz importantes reflexões sobre machismo e opressão”, conclui a produtora. O Prêmio Nacional O Cenym de Teatro Nacional foi criado em 2001 pelo ator, diretor e crítico de teatro Tom Williamson. É um prêmio de mérito entregue anualmente pela Academia de Artes do Teatro do Brasil, – ATEB, em reconhecimento a excelência dos profissionais e espetáculos que mais se destacam no teatro brasileiro. A votação é realizada por um grupo de membros da ATEB, formado por atores, atrizes, diretores, cenógrafos, coreógrafos, figurinistas, iluminadores, sonoplastas, maquiadores, críticos e outros profissionais da cena teatral do país. Montagem O espetáculo reconta a paixão da premiada escritora brasileira Hilda Hilst por seu primo Wilson Hilst, vinte anos mais novo, durante a criação de um de seus mais aclamados livros, “A Obscena Senhora D”, no início da década de 1980. O encontro marca uma relação mais profunda entre vida e obra da escritora, em que realidade e ficção se misturam num mesmo enredo. A peça, que completa dois anos em cartaz desde a sua estreia, tem dramaturgia e encenação de Juarez Guimarães Dias e foi construído a partir de suas pesquisas sobre a Casa do Sol, para o romance “A Casa da Senhora H”. Na próxima sexta-feira, dia 27, às 21h, estreia a versão online ao vivo do espetáculo dentro da Programação da Curadoria Hilst na FLIP – Festa Literária de Paraty, que permitirá ampliar o acesso ao público nacional. Os ingressos podem ser adquiridos pelo link: https://www.sympla.com.br/teatro-digital-a-obscena-senhora-h__1059382 A escritora HILDA HILST (1930-2004), escritora homenageada em 2018 pela Feira Literária de Paraty (Flip), foi uma poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira, considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Hilda Hilst escreveu por quase cinquenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do Brasil, Prêmio PEN Clube de São Paulo, Prêmio Anchieta, Associação Paulista de Críticos de Arte (Prêmio APCA e Grande Prêmio da Crítica pelo Conjunto da Obra), Prêmio Jabuti e Prêmio Cassiano Ricardo (Clube de Poesia de São Paulo), Prêmio Moinho Santista, entre outros. Mudou-se para a Casa do Sol, construída na fazenda de sua mãe em 1966, onde passou a viver e produziu a maior parte de sua obra. Depois de sua morte, a casa tornou-se sede do Instituto Hilda Hilst e foi tombada pelo Patrimônio Histórico de Campinas. Os criadores Luciana Veloso, atriz e produtora cultural, graduada em Teatro pela Escola de Belas Artes da UFMG e Técnica em Interpretação Teatral pela Casa das Artes de Laranjeiras (RJ). Atuou em espetáculos teatrais no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, entre eles “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”, direção de Inês Viana; “O Interrogatório”, direção de Ole Erdmann; “Peer Gynt”, direção de Adriano Garib; “O Santo e A Porca”, direção de Kalluh Araújo; “Zucco: ensaio para um crime”, direção de Amaury Borges; e “Pas de deux para 2 Mulheres”, direção de Henrique Vertchenko. Trabalhou como atriz e assistente de produção nos projetos “Oficinão 2011” e “Pé na Rua 2012”, do Centro Cultural Galpão Cine Horto; e como assistente de produção da web serie “Gente Awa”, sobre a vulnerabilidade das comunidades indígenas contemporâneas. Foi assistente de produção no Centro Cultural SESIMINAS nos anos de 2015 a 2017. Foi produtora executiva do Círculo Hilda Hilst 2017, 2ª edição. Atualmente é produtora responsável pelo projeto “Antes do Fim”, da diretora e dramaturga Rita Clemente, e atriz do espetáculo “A Obscena Senhora H”, com direção e dramaturgia de Juarez Guimarães Dias. Juarez Guimarães Dias, o diretor, em 2018 comemora 25 anos de Teatro. É escritor, encenador teatral e publicitário, Professor do Curso de Comunicação Social da UFMG. É Doutor em Artes Cênicas (Unirio), Mestre em Literatura (PUC-Minas) e Bacharel em Comunicação Social (Uni-BH) e Coordenador do “Núcleo de Estudos em Estética do Performático e Experiência Comunicacional” (FAFICH/ UFMG). É leitor e pesquisador da obra de Hilda Hilst há 15 anos. Publicou “O fluxo metanarrativo de Hilda Hilst em Fluxo-floema” (Ed. Annablume, 2010), oriundo de sua dissertação de mestrado; dirigiu “Do desespero de contar uma história Ou Da arte de ser um unicórnio” (adaptação sua da ficção “O Unicórnio”) em 2006, dirigiu em 2003 a montagem de “A Possessa (A Empresa)”, dramaturgia de Hilda Hilst produzida pela Cia. De Outros Atores, que também realizou o evento “Círculo de Atividades Integradas Hilda Hilst” (1ª edição, 2002) e “Círculo Hilda Hilst” (2ª edição, 2017). Atualmente está em fase de finalização e publicação o romance “A Casa da Senhora H” sobre a história da Casa do Sol de Hilda Hilst, projeto contemplado pelo Prêmio Funarte/ Biblioteca Nacional de Criação Literária 2012 e realizado no Programa de Residências de Criação do Instituto Hilda Hilst. No teatro, tem outros trabalhos reconhecidos por público e crítica: “Freddie Rock Star” (Fábio Schmidt), “EuCaio” (Matheus Soriedem), “Marilyn Monroe.doc” (Grupo Dois Palitos), “#tudodenós” (Pierrot Teen), “Atrás dos olhos das meninas sérias” e “Sexo” (Cia Pierrot Lunar). É autor também do livro “Narrativas em cena: Aderbal Freire-Filho (Brasil) e João Brites (Portugal)” (Móbile Editorial/ Faperj, 2015), sua tese de Doutorado. Ficha técnica: Criação: Juarez Guimarães Dias e Luciana Veloso Atuação: Luciana Veloso Dramaturgia e Encenação: Juarez Guimarães Dias Direção de Movimento: Sitaram Custódio Direção de Produção: Janine Avelar Cenografia: Juarez Guimarães Dias Design de luz: Bruno Cerezoli Figurino: Andreia Gomes Máscaras: Lívia Rabelo Preparação Vocal: Ana Hadad Trilha Sonora Original e Design de Som: Daniel Nunes Assessoria de Imprensa: Glenda Souza Design Gráfico: Solo CDC Redes Sociais: Djavan Henrique Fotografia: Matheus Soriedem Transmissão online: Bruno Cerezoli / Meneio Soluções Facebook e Instagram: @circulohildahilst

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