Joia do Vale

 Joia do Vale

Com belezas naturais, artesanato de qualidade e gastronomia variada, Região da Chapada de Minas quer aproveitar sua vocação cafeeira para atrair visitantes  

Luís Otávio Pires

Fotos: ICCM/Divulgação

A região da Chapada de Minas, no Vale do Jequitinhonha, quer aproveitar sua vocação de produtora de café de qualidade internacional para incrementar seu turismo. Os produtores locais propõem aos visitantes vivenciar a colheita do café, além de aproveitar o artesanato, a gastronomia e as belezas naturais.

Enquanto ainda não existe apoio de órgãos públicos locais – das prefeituras das cidades que formam a região -, cabe aos produtores ligados ao Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) tomar frente desta iniciativa, a fim de atrair os turistas.

“O intuito do ICCM é, primeiro, conseguir a nossa Indicação Geográfica (IG), ou seja, a indicação de origem e mostrar que somos uma das regiões produtoras muito importantes de Minas Gerais”, afirma a diretora do instituto, Lydia Junqueira Puliti Meirelles.

Segundo ela, o fomento da produção do café poderá também oferecer melhor estrutura turística aos visitantes. “O Cerrado, as Matas e o Sul já são muito conhecidos e fazem grandes negócios; agora é a nossa vez”, observa.

Nos últimos anos, a Chapada de Minas tem sofrido uma retração na sua cafeicultura, devido à concorrência com o plantio do eucalipto e da pecuária de leite. Há quatro décadas produtores do Sul de Minas migraram para lá, quando se estabeleceu um novo polo produtor com o importante potencial de 400 mil sacas por ano.

Além de conhecer fazendas belíssimas, o dia a dia dos produtores e todo o processo por que passa o café até chegar à mesa, o turista conta ainda com uma boa estrutura de hotéis, restaurantes, lojas com artigos locais, sem contar a hospitalidade da população e todo aquele jeitinho mineiro em receber as pessoas.

COADO NA HORA

Nas visitas, é possível ainda saborear um pão de queijo assado em forno a lenha acompanhado, claro, de um cafezinho coado na hora. O visitante tem a possibilidade ainda de passar a tarde ouvindo causos regionais, as dificuldades e as conquistas dos nativos. É como se estivesse na casa de um velho amigo. “Se você gosta de café e simplicidade, vai se apaixonar por esta região, onde se respira o melhor aroma, o aroma do café mineiro feito com muito amor”, garante Lydia.

A cidade principal da Chapada de Minas é Capelinha, que fica a 540 quilômetros de Belo Horizonte. Não existe uma agência especializada em receptivo, mas o próprio ICCM se encarrega em receber os visitantes, fornecendo dicas de visitas, hospedagem e alimentação.

Com quatro empresas especializadas em torrefação de café, Capelinha busca atrair também compradores estrangeiros, donos de cafeterias e até baristas.

As diversas festas que acontecem na cidade também são atração. Uma delas é a “Festa do Capelinhense Ausente” que envolve até mesmo quem não é natural da cidade.

ARTESANATO RECONHECIDO

O artesanato de Capelinha e arredores é reconhecido mundialmente.  Existe um galpão onde as artesãos expõem e vendem seus trabalhos. Também há opções em Buriti (distrito de Minas Novas) e Campo Alegre (distrito de Turmalina), a apenas seis quilômetros de Capelinha, onde uma comunidade de artistas oferece esculturas em barro, panos, colchas e etc.

A gastronomia também é ponto forte de Capelinha e vizinhas. Linguiça da feira, espetinho de frango com farofa de manteiga de garrafa, farofa de andu, costelinha com risoto de canjiquinha e farofa de grãos são algumas iguarias saborosas servidas nas feiras livres da cidade.

Em junho, acontece o Jequisabor – Festival Gastronômico de Capelinha, com comidas típicas e eventos paralelos com fins sociais. Arroz e frango com pequi ou quiabo; paçoca de carne de sol; angu de milho verde, requeijão de barra e farofa de andu estão entre opções regionais.

SERRA NEGRA

As belezas naturais também são alternativas de turismo. A maioria delas está no Parque Estadual da Serra Negra, que se localiza no município de Itamarandiba, a uma hora por rodovia de Capelinha.

Com cerca de 13 mil hectares, o parque é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e cheio de lindas cachoeiras e um visual que fazer muito bem à mente.

A unidade possui rica biodiversidade e abriga várias espécies endêmicas, como as canelas-de-ema, que dominam a paisagem. O lobo-guará é outro símbolo do Serra Negra.

Nos últimos anos, o Governo de Minas tem implementado muitas ações na área, tais como a melhoria da sinalização e a construção de um mirante a 1.581 metros de altitude.

O pico da Serra Negra abriga torre de telecomunicações e é um dos mais altos do leste/nordeste de Minas Gerais e de lá pode se apreciar excelentes panorâmicas dos Vales do Jequitinhonha e Rio Doce.

VivaOnline

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