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Universidade Popular

Edição 02 05/10/2011 ARTIGOS

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Seria a universidade popular uma escola formal de continuidade e reprodutora dos ciclos da estrutura educacional vigente? Uma escola formal com a reformulação integral rompendo com os paradigmas, até então aceitos, e o erguimento de novos? Seria uma escola anarquista? Uma escola plenamente informal? Seria de fato uma escola? Um movimento? Um projeto? Uma Proposta? Uma Bandeira de um ou mais partidos políticos? Uma escola dos movimentos sociais e Populares? Uma escola dos trabalhadores, “proletários” e do socialismo? Um espaço para crítica ou apoio sem crítica, aos programas do Governo Federal: ENEM, Prouni, REUNI, Pronatec, dentre outros?

Existem no Brasil, e ao redor do mundo, várias concepções e experiências acerca da universidade popular, obviamente, não há consenso sobre: os temas, plataforma, projeto, articulação, bandeira de luta, exatamente pelo perfil e amplitude do conceito, das teorias e das práticas.

Agrega-se a essas, os conteúdos, a realidade, atores, ações, a dialética e a diversidade do conjunto consolida a riqueza das mais diversas e ousadas iniciativas, e faz com que cada proposta independente de sua abrangência seja legítima e louvável e digna do título de universidade popular.

Cada grupo, agremiação, que se propõe a seu modo, debater e construir a universidade popular, o faz com suas possibilidades e limites, e no contexto de cada grupo ou lugar social, desse modo, se percebe consensos e contradições que enriquece todo processo.

Participei e acompanhei debates, audiências públicas, seminários, encontros, oficinas sobre a universidade popular. Um exemplo foi o II Encontro do Fórum Mineiro de Pré-Vestibulares Populares, realizado na Casa do Movimento Popular, em maio de 2004, em Contagem-MG, com o tema: “Os Pré-Vestibulares Populares na Construção da Universidade Popular”, protagonizado pelo Grupo de Estudos Pré-Vestibulares Alternativos e Populares – Rede GESPALP, Movimento dos Sem-Universidade - MSU, Grupo de Estudos Alternativos do Bairro Floramar e Adjacências GREAMAR e outros.

Em âmbito nacional e global, destaco a participação nas edições brasileiras do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre-RS, e Belém-PA. Recentemente, contribuí com a reflexão acerca da “Democratização do Acesso e Permanência na Universidade, a experiência do MSU”, no seminário estadual sobre universidade popular, ocorrido em agosto 2011. A atividade integrou os processos preparatórios para o 1° Seminário Nacional de Universidade Popular (SENUP), que ocorreu nos dias, 2, 3 e 4 de Setembro em Porto Alegre RS, o evento segundo seus organizadores, constituiu um passo importante na luta por uma Universidade que sirva ao povo brasileiro.

Portanto, levar em consideração o contexto social, político e econômico, o exercício do diálogo permanente entre os atores e as diversas propostas de universidade popular no Brasil e no mundo, ajudará na consolidação de cada experiência em particular sem prejudicar o conjunto, contribuindo com uma sociedade mais capacitada para interpretar seu passado, enfrentar seus desafios estruturais e atuais, construtora do futuro.

Gildázio Santos
Filósofo, Técnico em projetos sociais, assessor técnico do CONSEA-MG, Membro da Pastoral de Direitos Humanos de Contagem e do Fórum Mineiro de Direitos Humanos.
santos.gildazio@ig.com.br | www.areteeducar.org.br

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