• Grande BH, 11 de Dezembro de 2017
  • 01:58h
  • Siga:

Página PrincipalA Revista Cadernos ARTE E CULTURA O timbre sofrido por detrás do suor de cada nota

O timbre sofrido por detrás do suor de cada nota

Edição 11 27/06/2014 ARTE E CULTURA

ed11_musica_01.jpg

Músicos dedicam noites e madrugadas engajados na concretização do sonho. Belo Horizonte, conhecida por seus inúmeros bares e casas de espetáculos, é cúmplice da dificuldade da profissão e berço de talentos

Por Diogo Silva
Fotos: Divulgação

 

A música é, para muitas pessoas, algo essencial. Pode transmitir alegrias e tristezas, ser inspiração de danças exuberantes ou lágrimas sinceras. Ora significa saudade, ora eterniza o presente. A música, além de ser uma expressão cultural, é revelação da alma, como reforça o filósofo Nietzsche: “sem música, a vida seria um erro”. Para outros a música é, além de tudo, um instrumento de trabalho. Vários artistas sobrevivem através do mercado musical que se estende desde a gravadora até os bares. Muitos deles usam públicos menores como trampolins buscando um reconhecimento maior, outros se tornam músicos de entretenimento em bares e restaurantes brasileiros, em vários casos por falta de um lugar de destaque em âmbito nacional. É o que acontece em Belo Horizonte, conhecida como a “capital dos bares”.

Refrão bem conhecido, “já que Minas não tem mar, eu vou pro bar”, evidencia o espaço que os bares tem no cotidiano mineiro. Belo Horizonte é uma cidade sem muitos pontos turísticos e talvez isso seja uma das explicações para os grandes movimentos que os bares alcançam durante as noites. Não só a cidade, mas a Região Metropolitana de Belo Horizonte possui uma cultura noturna bastante rica no que tange a bares, gastronomia e, principalmente, música.

A labuta musical

ed11_musica_02.jpgHelton Rodrigues, 23, é percussionista na banda Pele Preta Samba Rock. O grupo já toca há dois anos nos bares da capital. Além de músico, ele é estudante de geografia e atua em dois estágios. Sobre a sensação de se dedicar à música, Helton garante que é o momento de maior satisfação entre todas as atividades profissionais que realiza. “Demanda tempo para ensaios, compromisso com bares e festas que tornam alguns outros compromissos pessoais sempre incertos. Mas, apesar disso, é muito bom levar um pouco daquilo que você pensa e acredita para outras pessoas em forma de música”, completa.

O músico vê o mercado belohorizontino bem amplo para apresentações em bares. Porém enxerga uma relação músicos-estabelecimentos bem distante, principalmente pela desvalorização das casas frente aos músicos. “Por um lado é bem legal termos relativamente muitas oportunidades para nos apresentarmos, pois isso mantém sempre a banda em movimento, e ai vamos observando onde a gente acha que nosso som encaixa mais com o público e locais que oferecem uma certa estabilidade. Mas por outro lado é quase unânime a desvalorização das casas para com os músicos”.

ed11_musica_03.jpgO compositor e músico Cláudio Carvalho compartilha da mesma opinião. Com mais de 25 anos de carreira, o artista apresenta em seus repertórios clássicos da MPB e músicas autorais. Cláudio ressalta o leque de opções de casas em Belo Horizonte, que oferecem uma grande diversidade musical; mas salienta a dificuldade do artista na vida noturna, a submissão às demandas das casas e aos valores de pagamentos oferecidos. “Muitas vezes a apresentação tem um cachê abaixo do esperado. Para mim, as pessoas têm saído menos atualmente devido a questões de insegurança e violência, o que interfere diretamente no público das casas e no valor do pagamento ao músico”, acrescentou Cláudio. O músico declara que ele próprio é seu agente e empresário ao mesmo tempo, e o que motiva continuar na profissão, que considera desgastante, é o carinho e a receptividade do público. “Um público caloroso faz a diferença e é o que move as pessoas que estão em cima do palco. A interação com a plateia estimula o artista a fazer sempre um show melhor.”

Dependendo do estilo musical dos artistas, a fidelização do público deixa de ser um sacrifício e passa a ser encarada como arte. Romano e Rocerí sentem isso na pele. A dupla de moda viola enfrenta com muita naturalidade a preservação do sertanejo de raiz em detrimento as novas tendências mais pops da música caipira. A dupla que tem quatro álbuns lançados constata que os empecilhos da carreira ajudam a tornar o trabalho árduo ainda mais gratificante.“É sacrificante, porém muito satisfatório. Você vive de música pelo prazer, hoje posso afirmar que somos privilegiados. A música de raiz é bem recebida apesar da renovação que existe nos mais variados ritmos”, disse o capixaba Rocerí. Os músicos se apresentam em bares, festas, eventos, exposições e rodeios. Rocerí considera a música em sua vida como um instrumento capaz de purificar a alma e quebrar paradigmas.

ed11_musica_041.jpg

A gente trabalha com música tem que abrir mão de família, superar dramas, problemas pessoais, sejam emocionais ou físicos, para estar presente nos concertos. O que torna o trabalho prazeroso é cada aplauso misturado à reação do público. Às vezes basta observar apenas o rosto de quem está te assistindo para saber se sua música agrada ou não.”

Contudo, uma música boa é sempre saborosa pra quem a ouve e também pra quem a reproduz. Os bares belo-horizontinos possuem uma beleza boêmia simplesmente singular, o público cheio de animação e pessoas bonitas são elementos que embelezam a noite na cidade. Para Helton não há sensação melhor do que ser reconhecido pelo público. “O reconhecimento do seu trabalho por um desconhecido ou mesmo a própria sensação de ver os seus ideais caminhando quase que com as próprias pernas é realmente muito gratificante. É sempre difícil e incerto, mas sempre gratificante”, revela o estudante.

O grupo Pele Preta Samba Rock, além de tocar músicas pop-rock em arranjos de samba e o samba propriamente dito, trabalham em músicas autorais e buscam um espaço na música brasileira atual.

Em Belo Horizonte, a música e a noite são parceiras inseparáveis. Entre uma cerveja e outra, um pedido de tira-gosto ou uma dança envolvente, a música é sempre pano de fundo e até mesmo prato principal dos bares da capital. E se por aqui a vida é essa, subir Bahia e descer Floresta, por trás de uma boa música ao vivo existe um sacrifício musical.

Contatos para shows

Cláudio Carvalho

31 8516.9476 | 2557.6556

Romano e Rocerí

(31) 9668-0005 |9237-3792

8611-5005

Voltar para Cadernos

  • Compartilhar:

Última Edição

Edição 14

Maio de 2017

Confira

Colunistas

SARAH PARDINI

Feminilidade

OHARA RAAD

Beleza e Estética

ALAIZE REIS

Engenharia Civil

RONAN GOMES

Língua Portuguesa

LINDOMAR GOMES

Direitos e Cidadania

Viva Grande BH

Rua Getúlio Vargas, 33 Bairro JK - Contagem, MG CEP 32.310-150

Contato

  • Redação: 31 2567.3756
  • Comercial: 31 2564.3755 | 3356.3865

Siga:

Assine nossa Newsletter:

(c) 2009-2010 Todos os direitos reservados. Confira nossas políticas de privacidade.

,