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Madeira antiga, móvel novo

Edição 14 11/05/2017 EMPREENDEDORISMO

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Artesão contagense reaproveita móveis e estruturas antigas para
construir novos produtos com toque de personalização e arte

A casa de renato é um portifólio de seu trabalho. Quando nós (o fotógrafo e eu) o visitamos para fazer a entrevista, nos surpreendemos com a quantidade de peças fabricadas por ele utilizadas aqui e ali. Passando pela cozinha, há uma escada com revestimento inferior de madeira. “ Era a madeira daquela parede” conta enquanto aponta o dedo para a outra extremidade da sala. Foi ali que descobrimosa base de seu trabalho: o reuso. Engana-se, portanto, quem acha que a história é sobre carpintaria. Não, estamos falando também de reciclagem e reaproveitamento.

O artesão, de 43 anos, é natural de Belo Horizonte, mas vive em Contagem desde pequeno. Já trabalhou em diversos ramos, mas sua paixão sempre foi a marcenaria, com a qual trabalha desde quando se entende por gente.

Ainda na sala, há uma profusão de pequenos móveis e apetrechosfeitos por ele. Rack, criado-mudo, porta-retrato, suporte para televisão, caixinha de jóias e molduras. Todos adotando um estilo mais clássico, lembrando um pouco certas mobílias infantis da metade do século. Subindo pela escada, que também é uma obra como já foi dito, chegamos ao segundo andar, onde há dois quartos que, obviamente,têm traços pessoais do artesão. “ Está vendo a cabeceira com um 3D? Eu fiz. A cama é do tipo box e não tinha.”

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Entretanto, como já era de se esperar,  estávamos ansiosos para ver a oficina, no terceiro piso.  Por isso, não é de se estranhar, igualmente,o nosso pasmo quando descobrimos que não havia nada além de máquinas e  pedaços de madeira. “Onde estão as peças que você fabrica?” perguntei no impulso. “Então, não tem muita coisa aqui.Eu faço sob encomenda, né?” respondeu me mostrando meu leve deslize.A oficina é uma bagunça, claro, qualquer oficina de marcenaria é. O diferencial está na forma como o trabalho é feito.

“Há quanto tempo você faz isso?” pergunto pra começar o trabalho que me levou ali. “Não sei bem, mas sempre gostei de fazer minhas coisas com madeira. Antes de ter minha oficina, eu ia num amigo marceneiro e pedia pra ele me deixa fazer alguma coisa com a madeira que sobrava e as máquinas. Fui fazendo, fazendo e um dia me vi fazendo isso profissionalmente e hoje virou minha vida. Nesse momento, nos damos conta do engano. Tudo na oficina, exceto as máquinas, era de fabricação dele. As mesas, os suportes e até algumas cômodas e estantes. Resolvi perguntar sobre seu método.

“Eu só trabalho com material reciclado. Às vezes, uso madeira de pallet, às vezes de móveis velhos. Depende do que o cliente quer que eu faça. O que acontece é que as madeiras que uso geralmente são de pinho ou eucalipto, mais resistentes. Então é um trabalho que vai durar muito” conta.  Ele faz questão de que seja assim. Revela, inclusive, que não trabalha de forma alguma com madeiras mais modernas, como MDF. “ Aquilo é madeira compensada. Não dura e fica ruim pra trabalhar. Não compensa.”

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A intenção de Renato passa longe, inclusive, de disputar mercado com móveis de madeira compensada.  Seu trabalho, além de envolver madeiras mais resistentes, não tem nada de industrial, o objetivo é justamente a customização. “O cliente chega e me fala como vai querer o móvel. Geralmente eles olham antes no Google ou no YouTube e depois pedem aquiEu vou lá e faço.” Esse, provavelmente, é o grande diferencial, pois, por ser  um método completamente artesanal, nenhum produto fica exatamente igual ao outro. “Eu até falo com os clientes. Eu posso fazer algo parecido com o que eles viram no youtube, na casa do amigo, na loja... Mas igual, igual mesmo, não fica. Vai ter suas diferenças sempre. Pode ter uma marquinha, um detalhe diferente. Eu não trabalho com linha de produção. Um cliente que tem um produto meu vai ser o único com aquilo. Ninguém mais vai ter.É o diferencial do artesanato.”

Curioso, resolvi perguntar por que ele optou por materiais reciclados.“É um material que tá sempre largado por aí, as pessoas não dão valor.  Então, por que não usar? Além de ajudar o meio ambiente, porque fica menos lixo e material inutilizado” explica enquanto corta uma sólida madeira em suas máquinas.


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Seus trabalhos são personalizados do início ao fim. O cliente pode escolher o tipo de madeira, as formas e até mesmo se vai buscar o produto acabado ou recebe-lo em casa.  E não há limites para a criatividade. Renato faz praticamente tudo: mesas, cadeiras, móveis de escritório, móveis de casa, criados, ornamentos de jardim, detalhes para parede, porta-retratos, etc.

O maior problema dele, hoje, é tornar seu trabalho conhecido.  Por não ter um nome famoso, muitas vezes seu trabalho é subestimado e subvalorizado, o que não o impede de afirmar sua qualidade. “Eu vou criar um facebok e um site mais pra frente. Meu próximo objetivo é esse.”

Por Decius Diniz
Fotografia: Magno Gonçalves

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