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Entrevista com Victor Dzenk

Edição 14 11/05/2017 EMPREENDEDORISMO

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Empreendedor Nato

A caminhada de Victor Dzenk no mercado da moda foi muito precoce. O seu talento para criação foi descoberto muito cedo, com apenas 15 anos ele decidiu fazer um curso de desenho e desde então não parou mais. Aos 20 foi estudar em Paris, na reconhecida ESMOD – ÉcoleSuperieure de Mode. A experiência lhe deu base e segurança para criar sua marca, que em 2017 completa 25 anos de mercado.

Para comemorar a data, Victor está planejando diversas celebrações. Uma delas será apresentar um desfile comemorativo no próximo Minas Trend, e no final do ano, fará um desfile que contará a sua trajetória profissional através da sua estamparia. Depois do marco de ter sua marca reconhecida no Brasil e no exterior, o estilista quer se aventurar por novas áreas. “Depois de 25 anos fazendo roupa, eu estou procurando novos desafios”, contou o estilista.

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Uma novidade será a inauguração da VD House, no mês de Abril. A casa que sempre foi um sonho de infância, e hoje é a sua residência, será um espaço aberto para o público. Grande apreciador de arte, o estilista quer transformar o espaço em uma galeria com exposições fixas e itinerantes, além de um espaço para realizar mini wedding e eventos corporativos. Na entrevista, Victor conta um pouco sobre os seus novos sonhos e empreendimentos.  

Há quantos anos a Victor Dzenk está no mercado?

Nossa empresa faz 25 anos agora em setembro. Antes da Victor Dzenk nascer existia outra marca, que atendia tanto o público feminino como o masculino, mas em 1998 a pedido do Paulo Borges no primeiro BH Fashion Week,  nasceu a Victor Dzenk. Nós já temos alguns planos de comemoração para essa data, começa agora dia 5 de abril com um desfile no Minas Trend, que será um desfile comemorativo para os 25 anos. No Minas Trend de outubro faremos um desfile que será uma retrospectiva da minha carreira e da história da marca contada através da minha estamparia. Terá várias surpresinhas ao longo do ano. Uma delas será a inauguração da VD House. Este ano marcará várias mudanças na minha carreira, acho que é esse marco dos 25 anos, que pede uma renovação. Nessa nossa economia instável onde tantas empresas fecham as portas, estar presente por todos esses anos no mercado merece muitas comemorações.

O que você faz para se atualizar sempre?

O mais importante é você estar sempre buscando a superação, tento me superar a cada coleção. Também procuro sempre trabalhar com pessoas jovens, acho que esse é o grande segredo. A moda bebe muito do frescor das novas ideias da juventude. Agora na nossa equipe estilo temos duas sobrinhas minhas, uma faz arquitetura e a outra administração, mas as duas com veias artísticas muito forte. Elas entraram há três coleções para me ajudar, e deu muito certo. Na minha equipe de designer sempre tem pessoas mais novas, conviver e respirar com os jovens criativos é muito importante. Também é preciso estar sempre atendo ao comportamento, saber como as pessoas estão pensando, para que lado está indo o desejo do consumo. 

Você é uma pessoa tecnológica?

Sou bastante, lembro-me que tive meu primeiro MAC, aquela com a barriga colorida, sabe? E ele era verde limão e a foto demorava demais a abrir, e nós ficávamos naquela ansiedade toda. Não nasci e nem fui criado com a tecnologia, mas faço bom uso dela. Sei também colocar limite, pois hoje está uma coisa muito desenfreada, sei a hora de virar a tela para baixo e descansar. 

Devido à tecnologia, hoje a moda está muito globalizada. O que você acha disso?

Vejo só os lados positivos, quando eu estudava em Paris em 1989 a minha correspondência demorar 15 dias para chegar ao Brasil. Era uma época que não tinha internet. Você já imaginou isso? Até a informação chegar para um cliente era muito complicado. Hoje você tem tudo muito rápido, democratizou demais a informação de moda, todo mundo tem acesso. O que complicou para gente é que as marcas precisam correr atrás, precisam acompanhar o mercado. Não existe isso de lançar uma coleção e entregar daqui a seis meses. O grande desafio da indústria de moda hoje é fazer com que o produto desfilado chegue rápido ao cliente.

O mudou nesses 25 anos de carreira?

Nestes anos nós vamos amadurecendo, ficando mais pé no chão, acabamos ficando mais comercial também. Você passa a ter uma visão mais de empresário, e um pouco menos de inventor.  Quando você pensa em uma criação, você já pensa também lá na frente, se ela será viável comercialmente. Esse amadurecimento não existia no início, tudo era muito experimental.  Dávamos a cara à tapa, inovávamos sem pensar nas consequências. Hoje penso mais nos resultado do que na inovação, o que é bacana, mas eu também sinto falta daquela audácia do início da carreira. Por isso, acredito que precisamos ter essa galera nova por perto.

De onde surgiu a sua parceria com a casa construir? 

Sempre gostei muito de decoração e arquitetura, acredito mesmo que são segmentos quase siameses. Hoje se você for numa feira como a Revestir, que aconteceu em São Paulo, é incrível como a linguagem do acabamento para casa é muito igual à linguagem para moda. Arte, moda e decoração são irmãzinhas.Neste universo eu comecei a desenvolver com a Líder Interiores sofás e cadeiras para os meus estandes e depois acabou indo pararnas lojas da rede também. Despois veio a Casa Cor, onde realizei um desfile, e já tive espaços em homenagem. Também já assinei uma exposição na entrada do Morar Mais, já fiz muita almofadaria, várias estampas minhas já viraramquadros e então veio essa casa que é quase um sonho de criança. Eu a vi sendo construída quando era pequeno, pois fui criado em Lagoa Santa, e sempre falava que um dia iria comprar essa casa. Achava incrível, ela era muito moderna para a época. Coincidiu que a casa estava fechada há muitos anos, e a mostra Casa Construir estava procurando um espaço para fazer o evento. Então eu os trouxe aqui e fizemos uma espécie de pacto, disse se eles fizessem a mostra aqui, eu ficaria com a casa. Foi assim que viemos com a mostra para cá, com 40 profissionais, entre eles arquitetos, paisagistas, construtores e especialistas em iluminação. Tivemos aqui a Iluminar, a Abajur de Arte e várias outras empresas incríveis. 

Como foi ter o Gustavo Penna assinando a faixada da casa?

Gustavo Penna foi o grande maestro da nossa frente, ele transformou a faixada da casa com a colocação e o desenho que projetou utilizando containers. Era muito usual você ver o container fechado, e o Gustavo trouxe leveza os recortando e colocando vidro. O Gustavo também é apaixonado por Lagoa Santa, a casa dele em frente a minha do outro lado da Lagoa, ele passa todos os finais de semana aqui. Sempre pensava “Se um dia tiver minha casa será o Gustavo que irá fazer o projeto”. Quando estava pensando em comprar outra casa, nós tivemos uma reunião e ele me deu até um “Para Casa”, pediu para eu escrever em três linhas de como seria a casa dos meus sonhos. E de repente me apareceu essa casa, que era meu sonho de criança. O Gustavo fez uma contribuição muito importante, pois é a frente da casa. Ele conseguiu passar uma mensagem muito bacana, de integrar a casa na natureza, com a lagoa, preservou a identidade da construção.  

Como foi lidar com os profissionais?

Foi ótimo, vieram esses 40 profissionais, e foi bem diferente do que uma mostra normal, pois tudo foi projetado pensando no utilitário. Tudo seria usado realmente depois, tudo foi muito bem conversado. Foram seis meses de obras bem exaustivos, participei de todos os projetos, pois iria viver na casa depois. Foi incrível, hoje brinco que poderia até assinar um projeto, de tantas coisas que aprendi sobre área neste tempo. Nós tivemos muita sorte também, pois a casa foi muito bem fundada, esse problema nós não tivemos, mas tivemos que refazer toda a parte hidráulica e elétrica. Foi uma experiência incrível, uma troca muito grande, têm espaços que nem imaginava como ficaria. Os profissionais me escutaram muito e eu os escutei bastante também, nasceram ambientes que não imaginei e hoje reflito “Que bom que eles pensaram nisso”. 

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Quais são os seus ambientes preferidos?

A suíte master é o meu lugar preferido na casa, e a cozinha. Eu não opero o fogão, e mesmo que deixem a comida pronta para mim, eu gosto de chegar à noite e preparar uma salada. Brinco de refazer a comida e isso me distrai, abro um vinho, esse é o momento que consigo relaxar. A cozinha é do Homero Avvelar e Everaldo Ammorim, a suíte Ivana Seabra e Bruno Viana. Outro espaço que eu gosto muito é o deck da piscina, o spa com sauna, foram todos das mesma empresa a Coga Arquitetura, das profissionais Flávia Gamallo e Fabiana Couto, são meninas muito talentosas. 

Você possui algum plano para investir nessa área? Lançar algum produto?

Tenho um projeto onde pegamos todo o descarte da nossa indústria, que tem muita sobra de tecido, e estamos fazendo uma linha de supla e porta copos. Tudo bem estampado. Estamos desenvolvendo essas peças que já estão indo para o universo da decoração. Já estamos abastecendo as lojas e temos planos para colocar nas vendas online.

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Você sempre foi envolvido com esse setor?

Tenho muitos amigos que estudaram na Guignard, e quando era jovem surgiu essa dúvida entre a arte e a moda. Muitos amigos hoje estão pendurados na minha sala, como o Leonardo Brisola. Ele estava entrando para Guignard e eu estava ainda me decidindo. Mas a arte esteve sempre presente, acredito que faço um pouco de arte na minha estamparia. A estamparia nada mais é que uma arte digital, nós fazemos sempre um teste de 1,40 e quando ele chega é quase um quadro pronto. A cada coleção fazemos 10 estampas, então a cada coleção nós pintamos 10 quadros. 

Conte um pouco sobre as exposições na VD House?

 No dia 4 de Maio será a inauguração da casa, nós teremos exposições de artistas plásticos, escultores, a minha coleção de weendingtambém estará exposta. Todos os ambientes da casa estarão abertos, nós teremos ilhas de alimentação, músicas, queremos apresentar a possibilidade da casa de receber eventos corporativos, mas queremos focar nesta nova forma de casamento. Algo mais intimista, ter um lugar para receber a noiva, e os convidados da melhor forma possível. Nas exposições estaremos sempre com a Heloísa Trindade e a Lu Abreu, estamos até desenvolvendo com a Heloísa uma ideia exclusiva para a casa. Mas a ideia também será trazer exposições itinerantes, novos artistas. 

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Como será o funcionamento da VD House?

A casa terá três pilares importantes, comunicação, com agência de publicidade Virgulinas, Beleza, com o salão, e eventos e entretenimentos, que envolve as exposições, os casamentos e os eventos corporativos. A casa será aberta em dias específicos, tudo será noticiado nas nossas redes socais e no nosso site, que será lançado neste mês. Em Abril nós faremos um evento que será um Stop na frente da casa, para quem estiver correndo ou caminhado em volta da lagoa. Nós disponibilizaremos pessoas para medir a pressão, para dar dicas de nutricionistas, a ideia é ser um Stop voltado para a saúde e será também um convite para conhecer a casa, que estará de portas abertas neste final de semana. Todo mundo que passar em frente a casa será convidado a fazer um tour. Nós traremos a Move, que é a melhor academia da cidade, eles montarão toda a estrutura. A ideia será fazer uma vez por mês este evento de portas abertas.

Investir em novas áreas faz parte dos seus planos futuros?

O que pode ser subentendido com a VD House, é que eu estou em busca de novos desafios. Depois de 25 anos fazendo roupa, quero aprender outras coisas, fazer outras coisas, conhecer mais. Estou adorando mergulhar neste universo que não domino tanto que é o de eventos, mas quero participar, conhecer, entender como funciona. Estando aqui, em Lagoa Santa, que é uma cidade que me traz uma nostalgia de infância, um aconchego, eu também vejo um novo Victor nascendo, que não está só preso nas coleções e desfiles. Isso vai continuar acontecendo, mas neste momento da vida, eu quero mais.

 

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