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ATBO - Senhoras e senhores, o espetáculo vai começar

Edição 10 31/03/2014 ARTE E CULTURA

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Por Natália Rosa

Imagens: Divulgação

Uma família tradicional, com trabalho comum, rotina parecida com a de todas as outras e um bocado de sonhos que não foram deixados de lado pelo corre-corre da vida.

Um objetivo inusitado. Um destino incomum. Foi a partir de uma ideia pouco convencional que os integrantes da família Silva resolveram agradar as crianças do bairro e da região onde tinham uma padaria e apresentaram uma peça de teatro. Os personagens principais do espetáculo eram os bonecos produzidos por eles.

De lá pra cá, já se vão 15 anos. Roberto e Aparecida Silva são os anfitriões dessa família que abriu mão de tudo para permitir que crianças da periferia de Belo Horizonte pudessem ser agraciadas com a arte em forma de bonecos falantes.

Aos poucos, a família Silva foi se adaptando às novas ideias e iniciou um projeto itinerante, utilizando a camionete da entrega de pães para percorrer praças da capital mineira com apresentações de teatro de bonecos. “A construção do Teatro de Bonecos Origens é a realização de um sonho que começou ainda criança ao realizar as primeiras apresentações de teatro de bonecos para os meus irmãos, utilizando como matéria prima para a construção de bonecos abacates”, lembrou Roberto.

Logo, a iniciativa deu certo e encheu os olhos dos Silvas para dar continuidade em seus projetos. Já em 2000, o grupo tinha nova formação, além do casal Roberto e Aparecida Silva, seus filhos Ana Paula, Marcos Vinícius e André Luís faziam parte da trupe. E então, teve seu primeiro projeto aprovado na lei municipal de incentivo à cultura de BH com o intitulado “Boneco na praça”. Segundo Roberto Silva, esse foi o grande marco e divisor de águas para os Silvas.

Caminhão palco

A família Silva passa a ser uma associação de teatro de bonecos denominada “Origens”, nome que referencia o passado familiar do grupo e se estende às raízes culturais e históricas abordadas em seus enredos. “Trocamos de vez a panificadora pelo teatro”. Roberto conta ainda que “o tempo passou e a paixão pela arte só aumentou. Em 1995, após fazer o meu primeiro curso de teatro de bonecos, montamos o espetáculo metamorfose na porta da padaria City Pão de propriedade da família. Posteriormente através de editais de leis de incentivo a cultura, surge a Família Silva Teatro de Bonecos que passa a fomentar o teatro de bonecos utilizando um caminhão palco para levar a arte dos bonecos em praças, parques no interior do estado de Minas Gerais e capitais como São Paulo e Curitiba”.

Quem nunca escutou a expressão “Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé”? É assim que funciona o caminhão-palco dos Silvas. Com mais de 10 mil km rodados, eles levam a arte para diversos pontos do país. Além de espetáculos infantis e adultos, uma oficina móvel é transportada para que a população seja beneficiada.

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Responsabilidade social

A proposta que vai além de levar diversão e entretenimento aos amantes da arte, se tornou um objetivo. E agora, o foco da família Silva é a inclusão social.

Embora todos tenham o direito à cultura, o acesso no Brasil ainda parece restrito a alguns grupos. Assim, o “Boneco Especial” surgiu na creche Bom pastor, em Ibirité, com intuito de contribuir no processo de capacitação de pessoas com deficiência. Roberto afirma que o propósito é levar aos alunos que apresentam dificuldade de aprendizado, uma rica metodologia de arte-educação utilizando o teatro de bonecos como instrumento de pesquisa.

Para Roberto a proposta vai além de mostrar uma nova didática. “Nós construímos bonecos para doar para algumas instituições e deixamos os bonecos para eles na tentativa de deixar uma marca de responsabilidade social e de um novo método de aprendizado”, ressaltou.

Em sinal de um resultado positivo, Roberto e sua trupe foram beneficiados diversas vezes através de projetos de incentivo como, por exemplo, o “Boneco Especial” foi contemplado, entre outros, pelo edital nacional promovido pelo Instituto Itaú Cultural: Rumos Cultura Educação e Arte 2011/2013.

Teatro

O projeto itinerante foi um sucesso, mas a família Silva queria também ter seu lugar para confeccionar os bonecos e também um local para apresentações. Assim, surgiu o espaço com capacidade para cinquenta lugares e também possui uma sala destinada a oficinas de arte-educação para receber o público.

Vale ressaltar que o ambiente é principalmente adaptado para os portadores de deficiência, onde também são realizadas oficinas de capacitação em teatro de bonecos inserindo alunos com deficiências cognitivas e motoras.

O teatro da ATBO é exclusivo para as exibições do grupo e atende as necessidades técnicas de manipulação direta, fio, luva, vara e luva, ou seja, todos os meios utilizados para as apresentações.

Graduados em pedagogia, os diretores da ATBO utilizam o espaço destinado a produções de teatros de bonecos como uma sala de recursos pedagógicos. As atividades são desenvolvidas no formato de aula-espetáculo possibilitando a reflexão e o debate entre os participantes, contribuindo para a formação crítica dos alunos.

A ATBO passa a ser um equipamento de referência de bonecos da capital mineira com a primeira sala específica de teatro de bonecos de Belo Horizonte e merece aplausos da sociedade.

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Trupe

Roberto Ferreira da Silva

“A construção do Teatro de Bonecos Origens é a realização de um sonho que começou quando ainda eu era criança ao realizar as primeiras apresentações de teatro de bonecos para os meus irmãos utilizando como matéria prima para a construção de bonecos abacates”.

Aparecida Oliveira da Silva

“Estou à frente do teatro, junto com Roberto, desde 1997. Na época ele construía bonecos e pedia opinião como eles estavam e eu falava que estavam feios e mal acabados. Então ele começou a pedir para que eu auxiliasse no acabamento dos bonecos e na construção dos figurinos. Hoje, sou coordenadora artística da ATBO e me sinto realizada por ter o privilégio de trabalhar em família”.

Ana Paula da Silva

“Eu tinha 8 anos de idade quando ingressei com meus pais e irmãos em apresentações em praças e aniversários. Quando passamos pela primeira vez na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, estava já com 11 anos, “a coisa ficou mais séria” e passei a encarar o trabalho com mais responsabilidade. Desde então, não larguei mais o teatro de bonecos, o que acabou tornando-se uma profissão”.

André Luis da Silva

“Comecei a trabalhar com minha família mais por necessidade, mas conforme o tempo ia passando, vi que o teatro também fazia parte de mim. Atualmente tenho 16 anos, e sou contrarregra da ATBO”.

Marcos Vinícius da Silva

“Quando adentrei no meio artístico da família, não compreendia muito bem a minha função no grupo, a arte de manipular ainda não tocava meu coração. O tempo foi passando e acabei me aprofundando na área, encantar o público com uma trilha pontual e uma iluminação correta passou a me dar prazer e tornou-se realmente meu trabalho. Depois de algumas tentativas e muito esforço. Hoje sou um manipulador de bonecos, ator e responsável pela sonorização – iluminação das produções da ATBO. Estou convicto que o teatro de bonecos faz parte de minha vida”.

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