Página PrincipalA Revista Cadernos ARTIGOS Aos Professores, mais carinho

Rubem Alves escreveu um livro de Crônicas com o título “Ao Professor com o Meu Carinho”. Não pretendo aqui discorrer sobre as crônicas do autor, tão bem escritas como uma bela música aos ouvidos. Recomendo ao leitor essa leitura, no momento, inspirarei na ilustre produção do educador, filósofo e psicanalista mineiro apenas para dar título ao artigo.
Que os (as) professores (as) tem um papel indispensável na educação, ninguém tem dúvida, que nenhuma mudança acontece sem educação e que todos os envolvidos no processo e no contexto social são fundamentais para o ensino- aprendizagem, até os mais conservadores já aprenderam isso, nas lições do educador Paulo Freire.
Os governos nas diferentes esferas têm desrespeitado essa categoria, e a sociedade incluindo setores da mídia, é omissa ao permitir que situações de massacre a moral e a dignidade dos professores sejam rotinas. Nesta mesma linha, consequentemente, grande parte do tratamento que alguns alunos dispensam aos professores reflete o desprestígio e a indiferença da sociedade para com esses cidadãos e cidadãs que ajudam na construção do Brasil do presente e do futuro.
Os professores não reivindicam apenas melhoria salarial, mas é consenso entre todos os políticos, mesmo os mais retrógrados, que eles reivindicam também, a própria dignidade e uma escola que sirva para ensinar.
Extrapolando as exigências do magistério nossos(as) professores(as) muitas vezes têm que cumprir o papel de babás e de agentes de segurança pública sem serem pagos por isso, todas as profissões tem seu valor e devem ser respeitadas e valorizadas por suas competências.
Ao se tratar de educação, qualquer desenvolvimento que se pretenda, só será efetivo se tivermos coragem e determinação para enfrentar o desafio de superar o analfabetismo que segundo dados do (PNAD/2009/IBGE) chega a 14 milhões de analfabetos totais, e 29,5 milhões de analfabetos funcionais, o que representa nesse cálculo um quarto da população brasileira que carece de uma escolarização mínima.
A resposta para essa e outras questões pode encontrar eco na Campanha Nacional que prevê a destinação e aplicação de 10% do PIB do Brasil para educação pública. Assumir e apoiar essa campanha é fundamental para que a educação possa ser reconhecida de fato como “direito de todos e dever do Estado” como preconiza a Constituição Federal.
A Educação no Brasil não foi prioridade no século XX. Para ser uma prioridade conforme afirma o Ministro da Educação, Fernando Haddad, ela deveria ter usufruído de um investimento de no mínimo 6% do PIB. “Temos uma enorme dívida educacional e precisaremos investir nos próximos anos mais do que os países desenvolvidos”, afirma o ministro que menciona um investimento atual de cerca de 5% do PIB na educação. A meta de investimento é de pelo menos 7%, o que nos aproximaria às taxas de países como Japão, Alemanha e Estados Unidos, dentre outros.
A própria valorização dos professores, também é pontuada por Haddad. Ele concorda que a melhoria da qualidade do ensino no Brasil está vinculada a valorização da carreira dos professores. “A categoria ganha, em média, 60% dos valores pagos a outros profissionais com nível superior”, relata o ministro, e defende o piso salarial adequado e um plano de carreira satisfatório, e discursa sobre a necessidade de “colocar o professor no centro das nossas atenções”. (Fonte: Revista Mercado, abril de 2011, página 91).
O Ex-Ministro da Educação e Senador pelo DF, Cristovam Buarque, lançou no último dia 22 de novembro de 2011, no Conselho Nacional de Educação, em Brasília, o livro “A revolução republicana na Educação” (Ed. Moderna/Fundação Satillana). Na mesma linha do que se desenvolve nesse texto, Cristovam defende a federalização do ensino básico, o aumento de investimento por aluno, a criação de uma carreira nacional de magistério com 100 mil professores por ano por meio de concurso nacional, com salário médio de R$ 9 mil por mês. Na proposta os docentes teriam dedicação integral e exclusiva por contrato, e sistemas periódicos de avaliação de desempenho.
Para o Senador, “é preciso fazer uma revolução e criar um novo sistema escolar” que garanta, em 20 anos, a incorporação de 3,5 milhões de novos alunos no primeiro ano e cerca de 2,5 milhões de novos alunos em cada período restante. O valor para colocar o Brasil em outro patamar educacional é de aproximadamente R$ 464 bilhões.
Portanto, defender investimentos na educação, formação tecnológica em conhecimentos científicos e desenvolvimento do país, isolada dos múltiplos fatores que envolvem a educação, torna-se irrelevante e sem sentido, se não for dado o devido respeito e carinho aos nossos mestres. Para avançar em ciência e tecnologia deve se valorizar, capacitar e dar suporte a esses docentes sem exigir deles algo mais que o magistério lhes ensinou.
“Os dirigentes do Mundo precisam descobrir o valor da educação, e não apenas seu custo”
Abdulla Bin Ali–Thani – Presidente da Wise(Cúpula Mundial da Inovação para a Educação)
Gildázio Santos
Filósofo, Técnico em projetos sociais, assessor técnico do CONSEA-MG, Membro da Pastoral de Direitos Humanos de Contagem e do Fórum Mineiro de Direitos Humanos.
santos.gildazio@ig.com.br | www.areteeducar.org.br
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